sábado, 15 de abril de 2017

O SACRIFÍCIO DE JESUS


O SACRIFÍCIO DE JESUS

A História está repleta de narrativas destinadas a salientar os sofrimentos do homem ou o espetáculo da dor humana. Romances, novelas, teatro e, mais recentemente, o cinema têm encontrado na dor o seu campo de atividade mais efetiva. Alguns autores objetivam a crítica, a censura ao mal, ao crime, às paixões humanas: outros visam mesmo à encenação espetacular da violência, à exacerbação dos sentidos, nos chamados filmes de suspense.

William Shakespeare surgiu no século XVI como o campeão dos campeões na arte de evidenciar a dor humana. Ele, o maior dramaturgo de todos os tempos, escolheu, como motivo principal de suas histórias narradas em versos de expressividade inimitável até nossos dias, a tragédia. E em seus dramas trágicos, desde o famoso "Romeu e Julieta" a "Otelo" e "Mac Beth", a sua preocupação maior não foi com a chamada dor física, mas com a dor moral. No entender do grande poeta inglês é a dor moral a que mais punge e excrucia. A dor corporal quando não mata passa e, às vezes com o olvido, as próprias cicatrizes desaparecem. O mesmo não acontece com as dores morais. Elas não costumam deixar cicatrizes no corpo, deixam marcas na Alma. Elas, as dores morais, têm, nos despreparados, o poder de envelhecer, de enlouquecer e também de matar. É o caso da calúnia e das grandes decepções, na Alma humana.

Todavia, a chamada Paixão de Cristo tem sido pintada por poetas, escritores, filósofos, dramaturgos e teólogos como a mais singular e incomparável de todas as tragédias que a Humanidade testemunhou em toda a sua história. Não obstante, o que o homem faz questão de evidenciar como terrível e hediondo é o aspecto físico da paixão de Jesus. Os cravos nas mãos. A coroa de espinhos. As incontáveis chibatadas com o sangue a se lhe derramar abundante do corpo. O rosto retratado na toalha de Verônica. A última lancetada em um dos lados, quando já no alto da cruz. É tudo quanto de horroroso o homem consegue perceber nos sofrimentos do Cristo. Nada mais. Tudo passou. Tudo acabou. E isso se repete todos os anos, comemorativamente, na emocionalização das cenas narradas, dramatizadas, televisadas, cinematografadas. Só. O espetáculo de um Rabi martirizado.

Mesmo assim, não negamos e ninguém tem o direito de negar que Jesus sofreu. O fato de possuir, realmente, um corpo especial, fluídico, mas tangível, na conformidade de sua vontade e consoante as situações criadas pela dificílima missão de que estava incumbido, isso não significa insensibilização. Quem não se recorda de seu contato com a mulher hemorroíssa de que falam os três evangelistas sinóticos? Conforme está na narração de Lucas (8: 46): "Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu uma virtude." Tal era a sensibilidade espiritual de Jesus.

Entretanto, os fatos nos informam que não foram esses os verdadeiros nem mesmo os maiores martírios do Mestre. Aliás, os chamados martírios da dor física já passaram realmente. E a dor moral? Será que ela também passou? Será que esse terrível tipo de martírio sofrido por Jesus, mas esquecido ou nunca levado em conta pelos homens, também passou?

É justamente nesse sentido que o gênio de Shakespeare se tomou grandioso, porquanto é a dor moral que ele enfatiza. A dor que é tormento para a alma. Teve ele a acuidade de penetrar fundo no Espírito para sentir e elucidar quanto àquilo que mais punge no ser: a dor moral. Quem, conhecedor das tragédias do grande dramaturgo, esquecido ficou das tormentas morais que violentamente sacudiam a alma de Hamlet ou do tempestuoso e crucial desespero de Lear diante da ingratidão das filhas, ao verificar que não era amado por elas, tendo-lhes entregue todo o seu vastíssimo reinado? Que leitor esquecido ficou, finalmente, da angústia da jovem Julieta ao despertar do efeito da droga que a fizera dormir, diante do corpo morto de Romeu?

É que Shakespeare descobriu nas dores morais a mais terrível expressão do sofrimento da Alma. Mas o homem, em sua ingenuidade, mostra-se tendente a destacar e explorar, sempre que pode, o aspecto físico da dor. Talvez, quem sabe, esteja nisso a causa de tanta comiseração para com o Cristo crucificado e tanta indiferença para com a dor espiritual do Cristo vivo. Daí observarmos uma maneira mística de crer, respeitar e venerar um Cristo morto, impassível, quando na verdade, é do Cristo vivo que nos vem o apelo no sentido da renovação interior da Alma humana.

Afirma a "Revelação da Revelação" - obra recebida através da mediunidade da Sra. Collignon e organizada por J.-B. Roustaing, que Jesus não sofreu dor física, mas seu sofrimento moral foi de caráter inenarrável. Dotado de um corpo especial apropriado à missão de que lhe incumbira o Pai celestial, o sofrimento lhe atingia diretamente a. essência espiritual, desenvolvendo em seu Espírito uma angústia que nenhum ser mortal teria condição de suportar. Por quê? Porque não lhe era possível desligar-se da missão que assumira para pensar em si próprio. Ele encontrava em si mesmo e na assistência que recebia diretamente do Pai todas as condições para superar os paroxismos da dor.

E, aqui, chamamos a atenção para um outro aspecto do sofrimento de Jesus, tanto no que concerne ao que consta de "O Livro dos Espíritos", Questão 113: "não estando mais sujeitos (os Espíritos Puros) à reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus", quanto ao que nos informam os Espíritos em relação à passagem pela atmosfera densa de nosso Planeta de Espíritos Superiores. Ora, se Jesus estava além da superioridade espiritual, como PURO ESPÍRITO, não será difícil, mesmo a uma inteligência mediana, formar um juízo correto a respeito desse outro tipo de sofrimento do Mestre: a distância espiritual que o separava dos homens de então.

É óbvio que para muita gente seria absurdo Jesus não ter sofrido dor física. O Senhor não ter sofrido dor corporal constituiria uma amarga frustração para quem tem nesse tipo de dor o clímax do espetáculo. E têm razão! Não foi isso que se explorou durante quase dois milênios? Não é através da dor física que o homem tem sido ensinado a sensibilizar-se? Não é o sistema utilizado, ainda hoje, pelos carrascos de determinados subúrbios sociais para sensibilizar aqueles de quem são esperadas certas confissões?

Eis que os Espíritos informam de modo peremptório': "Jesus sofreu, oh! sim, sofreu cruelmente, não na sua "carne", mas em seu Espírito. Cada pancada do martelo nos cravos que lhe traspassavam as mãos e os pés fluídicos, mas tangíveis, lhe ia ferir a sensibilidade e lhe fazia correr da alma o sangue mais precioso: o sangue do amor e do devotamento que vos consagra." [1]

Sim. Indubitavelmente, Cristo sofreu!

Sofreu?

Que estamos dizendo?

O Cristo sofre. Sofreu e sofre, porquanto não é na carne física e perecível que se encontra a sensibilidade do Ser, mas na essência espiritual. Daí não sofrer o corpo de que se haja ausentado o Espírito. Basta uma vontade poderosamente educada para isentar de dor física qualquer parte do instrumento carnal de que se utilize. Isto quando falamos de Espíritos Superiores educados e dotados de uma capacidade mental altamente desenvolvida. Aqui, neste estudo, estamos tratando do Cristo, a mais elevada essência espiritual que este Planeta conheceu. A respeito do sofrimento de Jesus, esclarece-nos, ainda, o iluminado Emmanuel:

"De modo algum poderíamos fazer um estudo psicológico de Jesus, estabelecendo dados comparativos entre o Senhor e o homem." [2]

Tivesse sido a dor corporal o sofrimento maior do Cristo e poder-se-ia quase dizer que ele nada sofrera. Houvesse sido essa a sua dor maior, e já estaria Ele totalmente liberto do amargor da cruz. Ainda não faz muito tempo, a televisão apresentou a terrível imagem de um homem religioso pertencente a determinada seita (se não nos enganamos - oriental) que, em sinal público de protesto, fez incendiar o próprio corpo físico, mantendo-se sentado, de pernas cruzadas, em posição característica, até que o corpo ficasse completamente carbonizado. Já alguém imaginou a capacidade mental de superação da dor daquele místico? Não havia ali um santo. Sua conduta era a de um suicida. A propósito, recordemos as seguintes palavras do companheiro, já desencarnado, Ismael Gomes Braga:

"( ... ) Com seu ilimitado poder sobre a matéria e o magnetismo, mesmo que tivesse um corpo material, gerado, Jesus poderia torná-Io insensível, como fazem hoje médicos e dentistas em operações cirúrgicas. ( ... )"[3]

Quanto ao Cristo, por que não ajudá-Io a libertar-se do sofrimento maior que ainda o aflige? Bastaria que nos ajustássemos à sabedoria de seu Evangelho, libertando-nos, por nossa vez, das cadeias perniciosas que nos prendem aos vícios, ao ódio, às paixões. Amemo-nos em pensamento, em gestos, em atos de bondade em favor de toda a Humanidade.

Ao dizer que Jesus não sofreu fisicamente, não nega os Espíritos a sensibilidade do Mestre. Afirmam o seu extraordinário poder de vontade e soberania espiritual. Ele sentiu, sim, a dor que a maldade humana lhe impingiu. Apenas não teve tempo para se preocupar com ela, porquanto na intimidade de seu Ser ocorria um suplício muito maior, para ele muito mais profundo: o suplício de ver-nos indiferentes e a fazer pouco caso do código de sabedoria com que presenteara o mundo:

“o Evangelho”!

Ele trouxe o Evangelho à Terra para que a Humanidade aprendesse a amar e a ser feliz. E alertou: "Conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres" (João, 8: 32). E concluiu mais tarde, quase à hora do sacrifício: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim" (João, 4:16).

Não sejamos ingratos. Se Jesus se utilizou ou não de sua capacidade de auto superação das dores físicas que lhe foram infligidas, não nos compete exigir dele qualquer explicação. Ainda aí estamos agindo e estaríamos agindo à maneira de fariseus hipócritas. Isto é, se ele respondesse aos seus inquiridores: "Não, não sofri" - teria enganado aos homens, e seria réu de falsidade; por outro lado, se ele informasse: "Sofri, sim, todas as dores físicas, todas as torturas" - seria tachado de masoquista, porquanto tinha o poder de superar as dores que lhe aplicaram ao corpo fluídico, mas tangível, e não quis fazê-Io.

Bem mais importante do que discutir sobre os sofrimentos de Jesus seria refletir em torno de seu intraduzível sacrifício em favor de todos nós. Por que ao invés disso tudo não o libertamos da dor espiritual que continua a cruciar-lhe o sublime coração? Para tanto bastaria elidir de nossas almas o egoísmo avassalador e cruel, causa indubitável de todos os males que fustigam incessantemente a Humanidade. Foi para isso que Ele veio, que se deixou imolar. E é em função disso que Ele ainda sofre, como se crucificado permanecesse. Reflitamos, espiriticamente, sobre tudo isso. E, brandos e pacíficos, de corações limpos, engajemo-nos, incondicionalmente, na sabedoria de Seu Evangelho.

Autor: Inaldo Lacerda Lima
Reformador – Dezembro de 1985

(1) J-B Roustaing – “Os Quatro Evangelhos”, Vol. 2, pp. 455/456, 6ª. Edição - Feb

(2) Emmanuel – “O Consolador”, Questão 287, 11ª. Edição – Feb

(3) I. G. Braga – “Elos Doutrinários”, p. 134 (Rodapé), 3ª. Edição – Feb

(Nota do Transcritor: Fernando Rosemberg Patrocínio: ao dizer: corpo fluídico, mas tangível: devemos compreender algo similar ao corpo humano, de características físicas as mesmas, porém, construído, coordenado e dirigido pela mais alta Mente, ou Espírito, já concebido pela mentalidade infante dos homens. Como dizia Paulo, em hebreus, em se referindo a Jesus: “Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo nem princípio de dias nem fim de vida, mas tendo sido feito semelhante ao filho de Deus, permanece sacerdote perpetuamente).

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62-Balizas do Terceiro Milênio;
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64-Ciência do Século XX;

65-A Revolução Ética.
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sábado, 8 de abril de 2017

JEAN-BAPTISTE ROUSTAING E O OBSCURANTISMO


JEAN-BAPTISTE ROUSTAING 

O OBSCURANTISMO

Preconceito: eis um dos grandes defeitos da pessoa humana, ou seja, capaz de juízos pré-concebido que, de regra, vem a manifestar-se no indivíduo tal qual forma discriminatória de pessoas, de crenças, de ideias ou de atitudes comportamentais. Logo, o preconceito deriva da imperfeição do Espírito humano, e, como somos todos imperfeitos, óbvio que o meio espiritista não escaparia de tais mazelas, discriminando-se, ou condenando-se, isto ou aquilo do qual, ou, dos quais, não admitimos, não concordamos.

Um dos maiores preconceitos do meio espiritista se engendra contra a pessoa e a obra de Jean Baptiste Roustaing, vindo, logo após, o preconceito contra a pessoa e a obra de Pietro Ubaldi; dentre outros.

No caso em questão, estaremos analisando, mais detidamente, o preconceito relativamente ao primeiro, que, por sinal, gera em seus perseguidores espiritistas um sentimento de impotência por querer-se mudar uma coisa que, debalde, não se consegue, cumprindo-nos, pois, mudar de atitude com relação a tal problema (quando é um problema) que, talvez, não seja do perseguido, e sim, do perseguidor, do discriminador, no caso, do espiritista obscuro e não seguidor do: “Sede, pois, Perfeitos”: importante máxima de Jesus que preconiza nossa melhoria, sobretudo moral, perante Aquele que É Divino, que É Pai de Indubitável Perfeição.

“Logo, que mudemos a nós próprios antes que exigir a mudança do nosso irmão, nosso próximo!”

Assim, o preconceituoso, o que pretende que a Feb não publique ou divulgue a obra de Roustaing, é, por sua natureza discriminatória, um desiludido por excelência, um elemento que pretende o retorno do ‘Index Librorum Prohibitorum’, ou seja, aquela famosa lista de publicações proibidas de se obter e de se ler. Mas, pela não realização de seus mais ardentes desejos, tais elementos preconceituosos se aborrecem e se frustram na impotência de si mesmos, de suas irrealizações.

Quiçá, um psicólogo, ou, um psiquiatra consiga solucionar tais problemas de espiritistas afoitos, sobretudo, os que se auto-proclamam: intelectuais, que, em verdade, não parecem ser o que querem ser, pois muito pouco sabe de sua Doutrina que, aliás, se fundamenta no mais importante psicólogo e psiquiatra de todos os tempos da humanidade, com uma metodologia ética universal, constituindo Máxima do seu Evangelho:

“Amai-vos uns aos outros”!
(Jesus).

Assim, pois, o resultado daquelas desilusões - quando não sanadas pelo Evangelho - nalguns, e, não poucos, se transformam em hostilidade, em ódio, perseguição, frutos da rebeldia, da intemperança, do desamor.

Tais elementos, preconceituosos, via de regra, são indivíduos autoritários, muita das vezes intolerantes, que propagam, mas não crêem, no livre pensamento, potência facultada a todos, conquanto quisessem implantar seu próprio e exclusivo regime, por sinal: insano, regido por seu sistema exclusivista e ditatorial.

Logo, o preconceito, em sua obscuridade mesma, é pouco lógico e pouco racional, pois desconsidera o livre pensamento, cabível a cada um e a cada qual; livre pensamento, pois, que caracteriza o mais importante dom concedido ao Espírito humano: sua liberdade de expressão! Prenda-se o homem, mas não se prenderá seu livre pensamento, seu expressar mais íntimo, intelectual e moral, pois que tais vigem no seu Ser como dádiva soberana, conquanto sua prisão física no cárcere sujo dos déspotas e dos poderosos.

Assim, pois, dentre os muitos preconceitos contra Roustaing e sua obra, temos:

1) - Revelação da Revelação: dizem os mais distintos preconceituosos, que não o leram, que Roustaing desejaria para a sua obra uma Revelação acima da Revelação de Kardec, ou seja, uma 4ª. Revelação que se posiciona acima da 3ª. Revelação da Lei de Deus instituída pela obra kardequiana; o que não é verdade, pois nela vemos, por exemplo:

“O Espiritismo, pela nova revelação, pela ‘revelação da revelação’, terceira e última explosão da Bondade de Deus para com os homens, é a luz que vos deve clarear a marcha, que dará vistas aos cegos”. (Roustaing – Tomo 3 – Feb).

Ou, noutros termos, não se trata - a obra de Roustaing - de uma revelação superior à obra de Kardec, mas sim de uma complementação e desenvolvimento natural de suas perspectivas doutrinais, sendo inserida, pois, na 3ª. Revelação da Lei de Deus, (Espiritismo), como promessa de Jesus de nos enviar o Consolador.

2) - Obra de Roustaing condenada por Kardec; uma outra mentira grosseira, pois Kardec não condenara dita obra como já vimos supra; e, mais ainda, ele a recomendara como obra complementar em seu livreto “O Espiritismo na Sua Expressão Mais Simples” (AK).

3) - O Espiritismo desmente Roustaing: outra farsa do nosso meio, pois que em “O Livro dos Espíritos” (AK), temos no Item 113, como já citamos, que os Seres da primeira ordem, como classe única, e, pois, sendo Espíritos Puros – como, por exemplo: Jesus – tais Seres não se encontram mais:

-“sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis”.

E, portanto:

-“não tem mais que suportar provas ou expiações”.

O que ratifica a obra de Roustaing que preconiza para Jesus, quando esteve entre nós, como um Ser dotado de um corpo fluídico materializado e cujo sofrimento: “na essência espiritual, é mais forte e mais vivo que o possam ser, para os vossos corpos”... “Jesus sofreu, oh! Sim, sofreu cruelmente, não na sua carne, mas em seu Espírito”. (Roustaing – Tomo 2 – Feb).

O que se confirma por uma das obras mais importantes do Século 20: a de Francisco Cândido Xavier, com a equipe superior de Emmanuel, um Espírito que, no Século 19, colaborara com a Codificação kardequiana. André Luiz, por exemplo, prefaciado por Emmanuel, corrobora Roustaing ao ministrar em “Mecanismos da Mediunidade” (Feb), que Jesus:

“Em Jerusalém, no tempo, desaparece de chofre, desmaterializando-se ante a expectação geral, e...”, “Em cada acontecimento, sentimo-lo a governar a matéria, dissociando-lhes os agentes e reintegrando-os à vontade...”. (Opus Cit.).

4) - O Espiritismo refuta Corpo fluídico do Cristo: isto é outra grande falácia, pois o Espiritismo: como Doutrina dos Espíritos Superiores - nada refutaram da obra de Roustaing, e, inclusive, a obra de Xavier que, no Século 20, também nada estivera a refutar de Roustaing, pelo contrário, o confirmaram sobejamente com Emmanuel, André Luiz e outros Espíritos de escol da mais importante antena mediúnica de todos os tempos da humanidade; sem contar, ainda, a obra de Divaldo, de Hernani T. Sant’Anna, cujos Espíritos, de elevada hierarquia, tais como Joanna de Ângelis, Vianna de Carvalho, Áureo, confirmam Roustaing e, lógico, sua obra, sua médium e os poderosos Espíritos de sua alta mediunidade.

Logo, em pessoa, fora Kardec que, contradizendo “O Livro dos Espíritos” (AK), e conquanto recomendasse a obra de Roustaing, esteve a duvidar do Corpo fluídico do Cristo, tal como vemos hoje com seus seguidores modernos que preferem o equívoco de Kardec que o Consenso Universal dos Espíritos Superiores.

5) - Roustaing é um inimigo de Kardec? Errado! Estamos vendo que é justamente o contrário! Ora, “O Livro dos Espíritos” (AK) é favorável a Roustaing como já visto supra de que:

-“os Espíritos Puros não reencarnam”,

Logo, Roustaing não é inimigo de Kardec, pois os fatos falam por si.

6) - A obra de Roustaing contém erros: e seria de se questionar: qual obra, seja de cunho humano, seja de cunho mediúnico, não contêm erros? Ora, estamos em processo evolucionário, e, pois, tudo muda o tempo todo, melhorando nossa percepção das múltiplas faces da realidade. E a obra de Kardec, por exemplo, do Século 19, contém erros facilmente detectáveis, sobretudo científicos, e, para tanto, que se consulte, por exemplo, o nosso já citado e.Book: “Fatos e Objeções”, dentre outros, que tratam do momentoso tema.

Logo, a obra de Roustaing, exceto pelo obscurantismo de alguns intelectuais, deve ser estudada, sim, pelos espiritistas, ou não, e que, afinal, são livres pensadores que encontrarão na mesma uma outra vertente, ou, diria, uma outra possibilidade da coisa em si, pois o Universo, seja ele físico, ou espiritual, fluídico, ou quântico, é complexo demais para a Mentalidade infante de nós todos. E, pois, que não condenemos o que não se pode, de momento, atinar e compreender, mas tão só cogitar e de múltipla forma: imaginar e esperar.

Logo: pretender, desejar, querer impor que a obra de Roustaing seja banida do nosso meio não passa de ilusões insanas da obscuridade humana, um retrocesso intelectual não mais condizente com o Homem moderno: que pensa não mais no fixismo, mas no movimento; que pensa no Século 21 e não no Século 19 de Kardec que fora muitíssimo ampliado; que pensa na Relatividade de Tudo, e, inclusive, do Ser humano, cujo Cognitivo não se paralisa, conquanto a vontade estagnada de elementos que serão forçados a mudar, a subir, a enxergar mais, e melhor.

Lembremos que Chico Xavier, o mais importante nome do Espiritismo no Século 20, em carta dirigida à diretoria da Feb, dissera:

“Aguardo com muito interesse a nova edição de Roustaing (‘Os Quatro Evangelhos’)”.

E frisava o sábio Xavier:

“Constituirá um grande serviço à Causa da Verdade e do Bem”. (Vide “Testemunhos de Chico Xavier” – Suely C. Schubert – Feb).

Ora, como não dar crédito ao nosso Chico que, para mim, fora ‘o metro que melhor mediu o Espiritismo no Século 20’, ou seja: a Doutrina dos Espíritos Superiores; e não de Espíritos falidos que perseguem a obra de Roustaing, a Feb, os rustenistas e tudo o mais, em sua atitude retrógrada, intransigente, própria de déspotas arbitrários e opressores. (Vide nosso modesto e.Book: “O Maior dos Brasileiros”).

Logo, se existira, para Emmanuel, um ‘metro que melhor mediu Kardec’, este, na pessoa de Herculano Pires; em nossas perspectivas, e, pois, muito acima de tal, existira um:

‘Metro que melhor mediu o Espiritismo no Século 20’, o nosso grande líder: Francisco Cândido Xavier.


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domingo, 2 de abril de 2017

CRITICANDO UM CRÍTICO


CRITICANDO UM CRÍTICO

Vamos a uma crítica sincera, racional e fraterna a um respeitoso articulista que, na revista eletrônica: ‘O Consolador’, de nro. 373, com o título: “Roustaing e Ubaldi: Uma Estranha União de Forças Cismáticas”, conclui, ao seu final, que tais autores (Roustaing e Ubaldi) atrapalham o desenvolver do nosso movimento; e, ainda, para o referido autor, seu escrito vem a ser uma defesa da obra de Allan Kardec, e, conclui que aqueles autores citados provocam preocupações, discórdias e dissidências no meb.

De início, temos dois entendimentos claros do texto em discussão:

a) de que referido articulista tem um conhecimento amplo e completo da obra de Kardec; e, por isto, se coloca em defesa do mesmo.

E mais:

b) dito articulista deverá possuir, também, um saber profundo dos autores que, em sua visão, ele condena e pretende rechaçar do nosso movimento.

Todavia, em resposta, quero crer que tais autores – Roustaing e Pietro Ubaldi - não atrapalham, e sim, fazem parte da ampliação e progresso doutrinário, sobretudo: intelectual e moral. E, mais ainda, estão a depender do nosso gosto disto ou daquilo, ou seja, do nosso livre arbítrio, em que tudo, do nosso psiquismo, vai percorrendo trajetórias diversas do cognitivo humano associado, ainda, ao nosso coração. Ora, se Jesus permitira a publicação de tais obras em nosso movimento, isto tem uma razão de ser, e não cremos seja pela razão do nosso “oponente”.

E, já que aquele escrito condena: Roustaing e Pietro Ubaldi, e defende Kardec e sua obra, ele deverá ter, como já exposto supra, não só o saber profundo e completo da obra de sua defesa, mas também a de seus supostos contraditores. E já que assim é, vamos a alguns raciocínios dubitáveis do articulista em questão que, em dado momento, declara:

“Ubaldi, tal como Roustaing, defende a existência da ‘Queda Espiritual’, implicando que a reencarnação seria uma espécie de ‘Castigo Divino’, a priori dispensável, se o Ser espiritual cumprisse suas metas de evolução e de comportamento adequadamente. Ressalta-se que esse ensino é uma das maiores discordâncias de Roustaing em relação a Kardec. Assim sendo, a tentativa de união entre Roustaing e Ubaldi é respaldada em um conceito claramente oposto à Codificação”. (Artigo Cit.).

Ora, dito raciocínio parece não estar com a verdade ao dizer que o ‘castigo’ seja um: “conceito claramente oposto à Codificação”. Ora, castigo é algo similar à penitência, à expiação e, pois, referida questão tem sim base doutrinária em Kardec: tanto em “O Livro dos Espíritos” (1857-AK), como em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (1864-AK) e em muitas outras passagens da Codificação e da Revista Espírita. Por exemplo, temos o Espírito de Bernardin, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (1864-AK), assim se expressando:

“Resumamos assim: estais todos na Terra para expiar; mas todos, sem exceção, deveis empregar todos os vossos esforços para abrandar a expiação de vossos irmãos segundo a Lei de Amor e de Caridade”. (Opus Cit.).

E, informa a resposta 676 de “O Livro dos Espíritos” (1857-AK), que o trabalho, seja ele qual for, como atividade de todos nós: os Espíritos reencarnados, vem a tratar-se de:

Uma expiação, e, ao mesmo tempo, um meio de aperfeiçoar sua inteligência”. (Opus Cit.).

E frisamos que: o trabalho, nossa operosidade espiritual, ou material, e, portanto, seja ela qual for, em sendo impostos a todos, trata-se, segundo “O Livro dos Espíritos”, de uma “expiação”, e, portanto, expiação de todos os Espíritos humanos reencarnados, o que consta, igualmente, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, ambos codificados por Kardec!!! 

E como, pois, a Codificação pode ser contrária a Roustaing e a Pietro Ubaldi com seu conceito de “expiação” do Espírito humano, nos moldes acima propostos e discutidos?

Logo, a obra de Kardec, aqui, e ali, admite, e garante sim, a Queda Espiritual e, inclusive, na passagem do Item 1009 do referido “O Livro dos Espíritos” (1857-AK), onde, e quando, o Espírito do notável e grande filósofo Lammenais assim nos dirige sua sábia palavra:

“Pobres ovelhas desgarradas, sabei pressentir, junto a vós, o Bom Pastor que, longe de vos querer banir para sempre de Sua Presença, vem Ele mesmo ao vosso encontro para vos reconduzir ao aprisco”.

“Filhos pródigos, abandonai vosso exílio voluntário; VOLTAI vossos passos para a morada paterna: o Pai vos estende os braços e mantém-se sempre pronto para festejar vosso retorno à família”. (Vide: “O Livro dos Espíritos” – 1857 - AK)

Ora, como é que alguém poderá RETORNAR à família, e, no caso, à família espiritual, sem dela, um dia, no pretérito, ter-se desertado? Logo, somos sim Espíritos desertados e decaídos, e vivemos sim, uma expiação por nossa própria incúria, culpa e rebeldia à Lei Soberana do Criador! E, não nos esqueçamos, mais ainda, da “Revista Espírita” de Allan Kardec, de Junho de 1862, que, de modo escancarado, preconiza:

“... Somos uma essência criada Pura, mas Decaída; pertencemos a uma pátria onde tudo é pureza; culpados, fomos exilados por algum tempo, mas só por algum tempo”. (Opus Cit.).

Assim, pois, aos que pensam de modo diferente, tais, obviamente, não conhece, de fato, e realmente, o Espiritismo mais a fundo, ou seja: o Espiritismo na condição de Terceira Revelação da Lei de Deus, e, pois, deveriam e devem estudar refletindo um tiquinho mais; ou, quem sabe, noutras vidas adiante, pois que ainda tendes muitos progressos por fazer, bem como nós mesmos, como perspectiva de teor evolucional.

Ora, vejam, ainda, a resposta ao Item 167 de “OLE” quando se lhes questiona sobre a ‘reencarnação’; dita resposta é taxativa: “Expiação”: para o progresso do Espírito humano, ou seja: de toda a humanidade do orbe terreno.

Para encerrar: tratarão, os idólatras de Kardec, de me enquadrar como mais um ‘fanático rustenista’! Ou, ‘mais um ubaldista no pedaço’! Mas isto não me ofende e não me incomoda em tempo algum, pois estão apenas divulgando o meu trabalho e minha cultura universal, e, não paralisante tão só em Kardec, como esses tais que lhe defendem e a tudo condenam sem maiores estudos e investigações.

Ora, a sabedoria não se adquire pela preguiça e sim pelo trabalho e pelo estudo constante dos nossos Maiores da Espiritualidade.

E, para finalizar:

Entendo o meu posicionamento filosófico como o de um ‘livre pensador espiritualista’ tentando acertar; e, se não o fizer hoje, o farei amanhã, se Deus assim mo permitir!

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Fernando Rosemberg Patrocinio
Fundador de Núcleo Espírita Cristão; Articulista; Coordenador de Estudos Doutrinários; Palestrante e Escritor com dezenas de e.Books gratuitos instalados em seu blog abaixo transcrito.

Relação dos e.Books de:
Fernando Rosemberg Patrocínio

01-Ciência Espírita: Tese Informal;
02-Espiritismo e Progressividade;
03-Espiritismo e Matemática;
04-Mecanismo Ontogenético;
05-Espaço-Tempo: Física Transcendental;
06-Corrente Mental;
07-Pietro Ubaldi e Chico Xavier;
08-Filosofia da Verdade;
09-Axiologia do Evangelho;
10-Espiritismo e Evolucionismo;
11-Fatos e Objeções;
12-O Médium de Deus;
13-A Grande Síntese e Mecanismo;
14-Evangelho da Ciência;
15-Codificação Espírita: Reformulação;
16-Kardecismo e Espiritismo;
17-Geometria e Álgebra Palingenésicas (web artigos);
18-Maiêutica do Século XXI;
19-Espiritismo: Fundamentações;
20-Ciência de Tudo: Big-Bang;
21-Evolução: Jornadas do Espírito;
22-O Homem Integral (Reflexões);
23-Espiritismo e Filosofia;
24-André Luiz e Sua-Voz;
25-O Livro dos Espíritos: Queda Espiritual;
26-Evidências do Espírito;
27-Construção Bio-Transmutável;
28-Mediunidade Genial (web artigos);
29-Conhecimento e Espiritismo;
30-O Paradigma Absoluto;
31-O Fenômeno Existencial;
32-Chico-Kardec: Franca Teorização;
33-O Maior dos Brasileiros;
34-Espiritismo: Síntese Filosófica;
35-O Livro dos Espíritos: Simples e Complexo;
36-O Livro dos Espíritos: Níveis Filosóficos;
37-Temas da Verdade Espírita;
38-Geometria Cósmica do Espiritismo;
39-Matemática da Reencarnação;
40-Kardec, Roustaing e Pietro Ubaldi;
41-Espiritismo e Livre Pensamento;
42-Síntese Embriológica do Homem;
43-Jean-Baptiste Roustaing: Réplica Primeira;
44-Jean-Baptiste Roustaing: Réplica Segunda;
45-Jean-Baptiste Roustaing: Réplica Terceira;
46-Consenso Universal: Tríplice Aspecto;
47-Método Pedagógico dos Evangelhos;
48-Cristo: de Roustaing a Pietro Ubaldi;
49-Estratégias da Revelação Espírita;
50-Trilogia Codificada e Rustenismo;
50-Trilogia Codificada e Rustenismo;
51-Cosmogênese do Terceiro Milênio;
52-Tertúlias Multidimensionais;
53-Cristianismo: Teologia Cíclica;
54-Análise de Temas Codificados;
55-Deus: Espírito e Matéria;
56-Razões e Funções da Dor;
57-Emmanuel: Insigne Revelador;
58-A Queda dos Anjos;
59-Homem: Vença-te a Ti Mesmo;
60-Evangelho: Evolução Salvífica;
61-O Espírito da Verdade;
62-Balizas do Terceiro Milênio;
63-Sentimento: Molde Vibrátil de Ideias;
64-Ciência do Século XX;
65-A Revolução Ética.
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Blog: Filosofia do Infinito
http://fernandorosembergpatrocinio.blogspot.com.br
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