quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

HENRI BERGSON (1859-1941)


Henri Bergson (1859-1941)

Importante filósofo e diplomata francês, Bergson fora citado, (consultado e estudado, óbvio), até mesmo por Pietro Ubaldi como se pode constatar em sua obra “História de Um Homem” (Fundapu – PU – 1941).

Em tal, menciona Ubaldi sobre si mesmo:

“Não teve forças para tomar a sério as abstrusas e áridas elucubrações dos filósofos que encontrara e o cansavam, sem terem a força de convencê-lo”. (Opus Citado).

E alega:

“Só mais tarde, (ele: Ubaldi), pôde aproximar-se do melhor da nossa época, como Boutroux, Bergson, Blondel, Petrone, etc.”. (Opus Citado).

Todavia, para falar um pouco de Bergson, convidamos o sábio amigo Alexsandro Melo Medeiros - Professor, Mestre em Filosofia, criador do site ‘Sabedoria Política’ - para algo discorrer do importante filósofo francês que, como dito supra, fora reconhecido por Pietro Ubaldi como um dos melhores da época recente, no que estamos de pleno acordo.

= = = = = = = = = = = = = = = = = = =

Henri Bergson

Ele era o orgulho de nossa Companhia. Que sua metafísica tenha ou não nos seduzido, que nós o tenhamos ou não seguido em sua investigação profunda à qual ele consagrou toda sua vida [...] nós temos nele o exemplar mais autêntico das mais elevadas virtudes intelectuais. Uma espécie de autoridade moral nas coisas do espírito prendeu-se ao seu nome, que era universal.
Paul Valéry (1941 – tradução livre)

por: Alexsandro Melo Medeiros
postado em jul. 2018

            Henri Bergson foi um filósofo e diplomata francês, nascido em 1859 e que faleceu nos primeiros anos da segunda grande guerra, em 1941. Uma de suas obras mais conhecidas, Ensaios sobre os dados imediatos da consciência, foi a sua tese de doutorado defendida em 1889, pela Universidade de Paris. No final do século XIX se tornou professor da Escola Normal Superior de Paris e logo em seguida do Collège de France. Recebeu o prêmio Nobel  de literatura em 1927. Sua filosofia pode ser classificada como uma fenomenologia evolucionista espiritualista intuicionista. Vejamos o que isso quer dizer.
            Em sentido amplo, a fenomenologia é uma corrente filosófica oriunda da ideias do filósofo Edmund Husserl (1859-1938) que afirma a importância de estudar os fenômenos em si mesmos e segundo o qual todos os fenômenos do mundo devem ser pensados a partir das percepções mentais dos seres humanos. Sobre a fenomenologia bergsoniana Pondé (apud FARIA, 2009, p. 1) afirma, em introdução ao livro A intuição e a mística do agir religioso que “Bergson participou da ‘virada’ fenomenológica no início do século XX, e é, de certa forma, um Husserl à la française. Seu chamado a um retorno aos ‘dados imediatos da consciência’ é na realidade uma atitude filosófica crítica”.
            Por outro lado Bergson tematiza a teoria evolucionista em debate com  seus mestres: Ravaisson (1813-1900), Lachelier (1832-1880) e Boutrox (1845-1921); além das teorias de Taine (1828-1895) e Spencer (1820-1903). Tais pensadores fazem parte do que podemos chamar de evolucionismo positivista, como ressalta Faria (2009, p. 41): “Para esses filósofos, a evolução é fundamento último da teoria da realidade”. E acrescenta: “Em sua busca pelo rigor para a filosofia, Bergson se torna adepto desses pensadores, mas não concordando com o determinismo implícito a essas filosofias, e sua convicta adesão à idéia de liberdade logo rejeita esse extremo” (id., ibidem, p. 41). Segundo Prado Júnior (1989, p. 170), o evolucionismo de L'évolution créatrice (A Evolução Criadora), substituindo o evolucionismo spenceriano, propõe “uma teoria que acompanha o ritmo criador da evolução da vida, não só descrevendo o desenvolvimento da consciência humana, sua progressiva constituição, como mostra também em que direção pode ser ela própria superada”. Sobre o evolucionismo de Spencer, Bergson chega a falar de um “falso evolucionismo”,
que consiste em recortar a realidade atual, já evoluída, em pequenos pedaços não menos evoluídos, depois em recompô-la com esses fragmentos e, assim, brindar-se antecipadamente com aquilo que se trata de explicar-se por um evolucionismo verdadeiro, no qual a realidade seria seguida em sua geração e seu crescimento (BERGSON, 2005, p. XIV).
            O evolucionismo bergsoniano deve ser estudado de acordo com as ideias espiritualistas do filósofo, quer dizer, de acordo com a ideia de que além da realidade material existe um princípio espiritual que anima a todos os seres humanos. É o espiritualismo de Bergson que faz o filósofo exaltar e inovar a metafísica, em uma época em que o avanço e o êxito das investigações científicas ditas positivas pareciam tornar obsoletas as indagações filosóficas. A formação intelectual de Bergson deu-se numa época em que predominavam as teses materialistas, evolucionistas e deterministas o qual Bergson respondeu com uma concepção espiritualista de evolução se opondo a todos os que pretendiam reduzir o psíquico ao meramente cerebral. É em prosseguimento ao “positivismo espiritualista” de Jules Lachelier (1832-1918) e de Emile Boutrox (1845-1912) que se pode situar o pensamento bergsoniano. Como espiritualista “A mensagem filosófica de HENRI BERGSON é antes de tudo o testamento de um Sábio” (PENIDO, 1934, p. 13 apud ROCHA, 1960, p. 105).
            Em decorrência do seu espiritualismo, Bergson foi o expoente da linha de filosofia intuicionista, porque afirma que a intuição e não a inteligência constitui a melhor forma de captar o verdadeiro conhecimento. Segundo o filósofo, há dois caminhos para conhecer o objeto, duas formas de conhecimento, diversas e de valores desiguais: mediante o intelecto (via raciocínio lógico) e mediante a intuição (por apreensão imediata do real). A intuição distingue-se por características que se contrapõem às características da inteligência. Esta se apropria do objeto do conhecimento  através de juízos, silogismos, análise. Diferente da inteligência que analisa e decompõe, a intuição é uma simples visão, que não decompõe nem compõe, mas vive a realidade da duração (outro importante conceito da filosofia bergsoniana). A intuição apreende o real imediatamente, é uma experiência direta que conduz o indivíduo ao interior das coisas. O objeto da intuição é o fluente, o que está em marcha. Finalmente a intuição seria a responsável por unir ciência e metafísica: “Ao mesmo tempo em que constituiria a metafísica como ciência positiva – progressiva e indefinidamente perfectível – levaria as ciências positivas propriamente ditas a tomar consciência de seu verdadeiro alcance, com frequência muito superior àquele que imaginam ter” (BERGSON, 2009, p. 41). Para Deleuze (1999) a intuição é o próprio método da filosofia bergsoniana ou do bergsonismo como ele chama, e constitui um método plenamente desenvolvido pelo filósofo francês.

Evolução e a Vida em Sociedade
            “A história da evolução da vida”, inicia Bergson (2005, p. IX) na introdução da obra A Evolução Criadora, “já nos deixa entrever como a inteligência se constituiu por um progresso ininterrupto ao longo de uma linha que, através da série dos vertebrados, se eleva até o homem”. A  vida em sociedade é o resultado desse processo evolutivo: “a sociedade é encarada por Bergson como algo natural, proveniente da evolução da vida” (BONADIO, 2013, p. 85). E o homem é um ser vivo que, por evolução, seguiu na direção da vida social.
            As duas obras que abordam esse processo de desenvolvimento e que em certa medida se complementam são: A Evolução Criadora (de 1908) e As Duas Fontes da Moral e da Religião (de 1932). “Pressupomos a hipótese de que ambos os livros, A evolução criadora e As duas fontes..., podem ser lidos como uma continuidade, como dois momentos em que as idéias se complementam e se interpenetram...” (FARIA, 2009, p. 40). Nestas duas obras Bergson ressalta como os conceitos de vida e consciência são os dois termos primordiais do processo evolutivo. “Tudo se passa como se uma ampla corrente de consciência tivesse penetrado na matéria” (ABBAGNANO, 1970, p. 28).
            Mas a linha da evolução que desemboca na consciência humana não é a única e tampouco é um processo linear. “A evolução é uma força explosiva, cujos fragmentos podem, por sua vez, explodir em novas linhas evolutivas” (GOMES, 2012, p. 262). De fato, desenvolveram-se outras formas de consciência que se manifestam de formas diferentes seguindo direções divergentes: uma é a via da inteligência, outra a dos instintos. “Inteligência e instinto são formas de consciência que se devem ter interpenetrado no estado rudimentar e que se dissociaram ao avolumar-se...” (BERGSON, 1978, p. 22). Inicialmente o processo evolutivo se deu basicamente através de formas de consciências instintivas e, em algum momento desse processo, o instinto deu lugar à formas de consciência inteligentes: “Devemos sempre ter em mente que o domínio da vida é essencialmente o do instinto, que em certa linha de evolução o instinto cedeu uma parte de seu lugar à inteligência” (BERGSON, 1978, p. 107). E Zunino (2013, p. 162) complementa: “A inteligência e o instinto estariam amalgamados de início; mas desenvolveram-se em duas linhas divergentes de evolução: (1) o instinto nas sociedades de insetos (formigas e abelhas); e (2) a inteligência na sociedade humana”.
            O ser humano, diferente da formiga que trabalha de forma instintiva para o formigueiro, tem a faculdade de escolher mediante a inteligência e todas as implicações daí decorrentes, como as escolhas individuais que levam ao julgamento moral e as manifestações religiosas que por sua vez são oriundas, como a própria sociedade, da evolução da vida. Na linha da evolução animal a natureza seguiu o caminho do instinto. Na da evolução do homem seguiu o caminho da inteligência e abriu a possibilidade para a escolha individual.
            Além da inteligência a natureza humana caracteriza-se pela sociabilidade tal como abelhas e formigas, sendo que estas últimas o fazem de modo completamente determinado e instintivo. A obra As duas fontes da moral e da religião é onde Bergson “desenvolve suas idéias de filosofia social, moral e da religião. Isto porque é sobre sua conceituação de religião que o pensador apóia suas idéias de filosofia social e moral” (FARIA, 2009, p. 4). A vida em sociedade está diretamente atrelada à moral e à religião, como podemos perceber em sua obra As Duas Fontes...
            Outro aspecto relevante é que a obra As Duas Fontes da Moral e da Religião aborda uma dualidade entre o aberto e o fechado que estão presentes tanto no aspecto moral (primeiro capítulo) e religioso (segundo e terceiro capítulo), quanto social. Trata-se da moral aberta e da moral fechada, da religião estática e da religião dinâmica e da sociedade aberta e da sociedade fechada. O título da obra já revela essa dualidade:
Há duas fontes ou duas espécies de moral e de religião e é muito importante distingui-las. Essa distinção nova será a distinção entre o “fechado” e o “aberto”: serão fechadas todas as morais e religiões que se distinguem umas das outras por exclusão mutua, como grupos por fronteiras, o que conduziria, no limite, à guerra; serão abertas as morais e as religiões que se endereçam sem exceção a todo mundo, sem traçar nenhum limite em nenhum espaço (ZUNINO, 2013, p. 161).
            Essa dualidade se revela no campo social. A sociedade fechada é aquela organizada segundo hábitos e obrigações que responde pela coesão social e
nos prepara para obedecer através de uma educação que começa no dia em que nascemos e continua ininterrupta em todos os instantes. Daí a nossa disposição, quase natural, para adquirir certos hábitos sociais aos quais obedecemos sem pensar. Na maioria de nossas ativi­dades cotidianas, obedecemos às exigências da sociedade, como se uma força, que Bergson chama “o todo da obrigação”, exercesse um peso sobre nós (ZUNINO, 2013, p. 161-162).
            Nas sociedades fechadas os indivíduos ligam-se uns aos outros por obrigações estritas de modo quase automático e sem que necessariamente tenhamos consciência disso. Encontramos a sociedade como está e seguimos o seu caminho. “A sociedade traçou um itinerário; encontramo-lo aberto diante de nós e o seguimos [...] Assim compreendido, o dever é cumprido quase sempre automaticamente; e a obediência ao dever, se nos ativermos ao caso mais frequente, se definiria como um ir a esmo ou um desleixo” (BERGSON, 1978, p. 16)
            Do outro lado temos a sociedade aberta que implica a humanidade inteira e não apenas a família ou a pátria e se revela através do sentimento de fraternidade pela humanidade ou ainda no amor pela humanidade.
A vida poderia ter parado nas sociedades fechadas: naquelas compostas por seres inteligentes haveria mais variação que nas instintivas, mas estarí­amos bem longe do “sonho de uma transformação radical”, isto é, de uma sociedade única que englobasse todos os homens. Talvez essa sociedade não exista nunca! Mas, “de longe em longe”, apareceram homens de gênio (artistas, cientistas) que ampliaram os limites da inteligência; o ímpeto vital se manifesta nessas almas privilegiadas (místicos) que visam a humanidade em geral, ao invés de permanecerem nos limites do grupo, acatando a solidarie­dade estabelecida pela natureza (ZUNINO, 2013, p. 167).

Referências
ABBAGNANO. História da Filosofia. Vol. XII. Lisboa: Editorial Presença, 1970.
BERGSON. As Duas Fontes da Moral e da Religião. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978.
____. A Evolução Criadora. Tradução Bento Prado Neto. São Paulo: Martins Fontes, 2005. (Coleção Tópicos)
____. La pensée et le mouvant. Ed. Critique sous la direction de F. Worms. Paris: PUF, 2009.
BONADIO, Gilberto Bettini. Moral: vida e emoção. Kinesis, vol. 5, n. 10, p. 84-100, dez. 2013. Acessado em 12/06/2016.
DELEUZE, Gilles. Bergsonismo. Tradução Luiz B. L. Orlandi. São Paulo: Editora 34, 1999.
FARIA, Marco Antônio B. Vida e Criação: a Religião em Bergson. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião). Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião. Universidade Ferderal de Juiz de Fora. Juiz de Fora, 2009.
GOMES, Ana Beatriz A. Bergson e a evolução da vida. Kínesis, vol. IV, n. 07, p. 254-272, jul. 2012. Acesso em 04 jul. 2018.
PRADO JÚNIOR, Bento. Presença e Campo Transcendental: consciência e negatividade na filosofia de Bergson. São Paulo: EDUSP, 1989.
ROCHA, Zeferino. O misticismo na filosofia de Henri Bergson. Symposium – Revista da Universidade Católica de Pernambuco, v. 1, n. 2-3, p. 105-120, 1960. Acesso em 08 jun. 2018.
ZUNINO, Pablo E. A. O filósofo e o místico: da sociedade fechada à ruptura moral. Atualidade Teológica, ano XVII, n. 43, p. 157-170, jan./abr., 2013. Acesso em 04 jul. 2018.
PENIDO, M. T-L. Dieu dans le Bergsonisme. Paris: Desclée, 1934.

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

Postado por:
Fernando Rosemberg Patrocinio
Fundador de Núcleo Espírita Cristão; Articulista; Coordenador de Estudos Doutrinários; Palestrante e Escritor com dezenas de e.Books gratuitos instalados em seu blog abaixo transcrito.

Relação dos e.Books de:
Fernando Rosemberg Patrocínio

01-Ciência Espírita: Tese Informal;
02-Espiritismo Em Evolução;
03-Espiritismo e Matemática;
04-Mecanismo Ontogenético;
05-Espaço-Tempo: Física Transcendental;
06-Corrente Mental;
07-Pietro Ubaldi e Chico Xavier;
08-Filosofia da Verdade;
09-Axiologia do Evangelho;
10-Espiritismo e Evolucionismo;
11-Fatos e Objeções;
12-O Médium de Deus;
13-A Grande Síntese e Mecanismo;
14-Evangelho da Ciência;
15-Codificação Espírita: Reformulação;
16-Kardecismo e Espiritismo;
17-Geometria e Álgebra Palingenésicas (web artigos);
18-Maiêutica do Século XXI;
19-Espiritismo: Fundamentações;
20-Ciência de Tudo: Big-Bang;
21-Evolução: Jornadas do Espírito;
22-O Homem Integral (Reflexões);
23-Espiritismo e Filosofia;
24-André Luiz e Sua-Voz;
25-O Livro dos Espíritos: Queda Espiritual;
26-Evidências do Espírito;
27-Construção Bio-Transmutável;
28-Mediunidade Genial (web artigos);
29-Conhecimento e Espiritismo;
30-O Paradigma Absoluto;
31-O Fenômeno Existencial;
32-Chico-Kardec: Franca Teorização;
33-O Maior dos Brasileiros;
34-Espiritismo: Síntese Filosófica;
35-O Livro dos Espíritos: Simples e Complexo;
36-O Livro dos Espíritos: Níveis Filosóficos;
37-Espiritismo: Queda e Salvação;
38-Geometria Cósmica do Espiritismo;
39-Matemática da Reencarnação;
40-Kardec, Roustaing e Pietro Ubaldi;
41-Espiritismo e Livre Pensamento;
42-Síntese Embriológica do Homem;
43-Jean-Baptiste Roustaing: Réplica Primeira;
44-Jean-Baptiste Roustaing: Réplica Segunda;
45-Jean-Baptiste Roustaing: Réplica Terceira;
46-Consenso Universal: Tríplice Aspecto;
47-Método Pedagógico dos Evangelhos;
48-Cristo: de Roustaing a Pietro Ubaldi;
49-Estratégias da Revelação Espírita;
50-Trilogia Codificada e Rustenismo;
51-Cosmogênese do Terceiro Milênio;
52-Tertúlias Multidimensionais;
53-Cristianismo: Teologia Cíclica;
54-Análise de Temas Codificados;
55-Deus: Espírito e Matéria;
56-Razões e Funções da Dor;
57-Emmanuel: Insigne Revelador;
58-A Queda dos Anjos;
59-Homem: Vença-te a Ti Mesmo;
60-Evangelho: Evolução Salvífica;
61-O Espírito da Verdade;
62-Balizas do Terceiro Milênio;
63-Sentimento: Molde Vibrátil de Ideias;
64-Ciência do Século XX;
65-A Revolução Ética.
...........................................
Blog: Filosofia do Infinito
https://fernandorosembergpatrocinio.blogspot.com.br

...........................................................................

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

ESSÊNCIA PURA, MAS DECAÍDA (Kardec)


ESSÊNCIA PURA, MAS DECAÍDA (Kardec)

Em conversa, por e.mail, com um sábio amigo, ele discorria sobre a temática do ‘Complexo Fenomênico Involutivo-Evolutivo’, que é vulgarmente conhecido como: ‘Queda Espiritual’:

Palavras do Amigo:

É sempre bom encontrar novos argumentos em favor de tal ideia para nos ajudar a uma melhor compreensão do fenômeno.

Às vezes olho para a nossa sociedade e vejo nela razão suficiente para justificar o que aconteceu e porque aconteceu a Queda.

Veja o meu raciocínio!

Deus criou os Espíritos livres; mas tal liberdade era condicionada, ou seja: restrita pela Ordem de tal criação para não se prejudicar sua harmonia.

Comparativamente: nós vivemos em uma sociedade em que o Ser humano clama, por todos os lados, por sua liberdade; mas nem todos sabem aproveitar a referida liberdade, e estão, por assim dizer, sempre dispostos a quebrar as regras estabelecidas. Logo, em nossa sociedade, temos um exemplo claro e bem evidente do que aconteceria, e do que acontece, quando se quebra tais regras.

E, a um Plano Divino, Espiritual, podemos visualizar o que aconteceria se aqueles Espíritos pudessem “quebrar” a Ordem Universal estabelecida.

Ou seja: os Espíritos que estiveram harmônicos com a Ordem, com a Justiça e com a Lei, permaneceram incólumes em seu plano de origem, plano espiritual; e, os desarmônicos, ou, rebeldes à Lei, tais foram forçados a uma correção pelo que se conhece por ‘Período Involutivo-Evolutivo’, ou, de Queda Espiritual e conseqüente Evolução por aprendizados diversos para a sua harmonização com o Sistema Perfeito da Criação Espiritual.

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

E, em resposta a tal, temos que:

O entendimento supra: é perfeito, pois, quando nós, Seres humanos, burlam a Lei, ou seja, as Leis da sociedade que vivemos, eu, você, ele, todos nós somos devidamente alertados e instruídos pela mesma, pois, do contrário, seria o caos, a desordem, a total desarmonia de tudo; e, para o seu inverso de ordem e harmonia, existe em nosso plano terreno: a Lei, ou seja, e, apenas para exemplificar: o nosso Código Civil e Criminal.

Logo, Deus não abandonou os Espíritos decaídos que, afinal, somos nós mesmos, em processo de evolução espiritual, ou seja, de retorno ao Sistema Espiritual Divino que, de antanho, estivéramos tentando burlar, ou seja, tentar quebrar sua Lei, sua Ordem, sua Perfeição e Harmonia.

E, novamente, frisamos que Deus não abandonou o filho pródigo, mas o busca e o quer em seus ‘braços espirituais divinos’ após a correção do mesmo pelo seu método, ou seja, pelo Evangelho do Seu Enviado, o Mestre Nazareno Jesus.

E, os Espíritos Superiores, no Século 19, com Allan Kardec, já alertavam:

“Voltai sempre os olhos para este pensamento filosófico, isto é, cheio de sabedoria: Somos uma Essência criada pura, mas decaída; pertencemos a uma pátria onde tudo é pureza; culpados, fomos exilados por algum tempo, mas só por algum tempo; empreguemos, pois, todas as forças, todas as nossas energias em diminuir o tempo do exílio; esforcemo-nos por todos os meios que o Senhor pôs à nossa disposição, para reconquistar essa pátria perdida e abreviar o tempo de ausência”. (Revista Espírita – Junho de 1862 – Allan Kardec - Edicel).

Ou seja, por meio de Kardec mesmo, no Século 19, temos dos Espíritos Superiores que codificaram sua doutrina, a confirmação precisa da obra de Pietro Ubaldi no Século 20.

Noutros termos, trata-se do que, presentemente, a obra ubaldiana denomina ‘Fenômeno Involutivo-Evolutivo’, ou, ‘Complexo Fenomênico Involutivo-Evolutivo’, ou, mais facilmente ainda: Queda e Salvação evolutiva do Espírito transgressor, que, em tempos primordiais de sua gênese, se equivocara pela rebeldia e insatisfação para com os Planos de Deus: Nosso Amoroso Pai: Nosso Misericordioso Criador.

E, como informava o Item 1009 de “O Livro dos Espíritos” (Allan Kardec – 1857), com o Espírito Superior de Lammenais:

“Pobres ovelhas desgarradas, sabei pressentir, junto a vós, o Bom Pastor que, longe de vos querer banir para sempre de Sua Presença, vem Ele mesmo ao vosso encontro para vos reconduzir ao aprisco. Filhos pródigos, abandonai vosso exílio voluntário; voltai vossos passos para a morada paterna: o Pai vos estende os braços e mantém-se sempre pronto para festejar vosso retorno à família”. (Opus Cit.).

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

Fernando Rosemberg Patrocinio
Fundador de Núcleo Espírita Cristão; Articulista; Coordenador de Estudos Doutrinários; Palestrante e Escritor com dezenas de e.Books gratuitos instalados em seu blog abaixo transcrito.

Relação dos e.Books de:
Fernando Rosemberg Patrocínio

01-Ciência Espírita: Tese Informal;
02-Espiritismo Em Evolução;
03-Espiritismo e Matemática;
04-Mecanismo Ontogenético;
05-Espaço-Tempo: Física Transcendental;
06-Corrente Mental;
07-Pietro Ubaldi e Chico Xavier;
08-Filosofia da Verdade;
09-Axiologia do Evangelho;
10-Espiritismo e Evolucionismo;
11-Fatos e Objeções;
12-O Médium de Deus;
13-A Grande Síntese e Mecanismo;
14-Evangelho da Ciência;
15-Codificação Espírita: Reformulação;
16-Kardecismo e Espiritismo;
17-Geometria e Álgebra Palingenésicas (web artigos);
18-Maiêutica do Século XXI;
19-Espiritismo: Fundamentações;
20-Ciência de Tudo: Big-Bang;
21-Evolução: Jornadas do Espírito;
22-O Homem Integral (Reflexões);
23-Espiritismo e Filosofia;
24-André Luiz e Sua-Voz;
25-O Livro dos Espíritos: Queda Espiritual;
26-Evidências do Espírito;
27-Construção Bio-Transmutável;
28-Mediunidade Genial (web artigos);
29-Conhecimento e Espiritismo;
30-O Paradigma Absoluto;
31-O Fenômeno Existencial;
32-Chico-Kardec: Franca Teorização;
33-O Maior dos Brasileiros;
34-Espiritismo: Síntese Filosófica;
35-O Livro dos Espíritos: Simples e Complexo;
36-O Livro dos Espíritos: Níveis Filosóficos;
37-Espiritismo: Queda e Salvação;
38-Geometria Cósmica do Espiritismo;
39-Matemática da Reencarnação;
40-Kardec, Roustaing e Pietro Ubaldi;
41-Espiritismo e Livre Pensamento;
42-Síntese Embriológica do Homem;
43-Jean-Baptiste Roustaing: Réplica Primeira;
44-Jean-Baptiste Roustaing: Réplica Segunda;
45-Jean-Baptiste Roustaing: Réplica Terceira;
46-Consenso Universal: Tríplice Aspecto;
47-Método Pedagógico dos Evangelhos;
48-Cristo: de Roustaing a Pietro Ubaldi;
49-Estratégias da Revelação Espírita;
50-Trilogia Codificada e Rustenismo;
51-Cosmogênese do Terceiro Milênio;
52-Tertúlias Multidimensionais;
53-Cristianismo: Teologia Cíclica;
54-Análise de Temas Codificados;
55-Deus: Espírito e Matéria;
56-Razões e Funções da Dor;
57-Emmanuel: Insigne Revelador;
58-A Queda dos Anjos;
59-Homem: Vença-te a Ti Mesmo;
60-Evangelho: Evolução Salvífica;
61-O Espírito da Verdade;
62-Balizas do Terceiro Milênio;
63-Sentimento: Molde Vibrátil de Ideias;
64-Ciência do Século XX;
65-A Revolução Ética.
...........................................
Blog: Filosofia do Infinito
http://fernandorosembergpatrocinio.blogspot.com.br

.........................................................................

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO HUMANO


EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO HUMANO

Ora, o que é o pensamento humano?

Não é, senão, o pensamento do Espírito evolutivo que há em nós, Espírito que, em se libertando, temporariamente, da matéria dos mundos, ainda prossegue sua evolução, sua mudança intelectiva e moral, sendo, pois, que os Espíritos mais próximos do saber mundano, também o apura em função de saberes maiores e que, por fim, vão se aproximando das esferas dos Anjos, dos Espíritos Puros, dos chamados Arcanjos e Serafins.

Logo, até que possamos chegar a tais patamares dos Seres Angélicos, nós todos, Espíritos encarnados e desencarnados, vamos ampliando nossos saberes, nossa condição moral, em suma: nosso coração, pois como ministrava o Mestre Nazareno em nos exortando à reforma íntima:

“... é do coração que partem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as fornicações, os furtos, os falsos testemunhos, as blasfêmias e as maledicências...” (Mateus, 15, de 1 a 20).

O que expressa, pois, que além de nossas correções intelectuais, devemos cuidar dos nossos corações, nosso sentimento, pois que é dele que partem, em princípio, nossos pensamentos, nossas palavras, nossos atos malsãos. E o Espiritismo diz o mesmo por toda parte como já vimos em diversos textos e e.Books de nossa singela autoria.

“Assim, pois, se haveremos de nos corrigir moralmente – no interior dos nossos corações -, também haveremos de nos corrigir cognitivamente, apurando saberes e conhecimentos vários de nossa inteligência em progressão”. (frp).

Sendo que, no tocante ao corpo físico do Cristo, um preclaro amigo nos remete do Espírito Ramatis, “O Sublime Peregrino”, psicografia de Hercílio Maes, a seguinte e respeitosa passagem:

“Jesus era dotado de um temperamento sereno e equilibrado no contado com as criaturas humanas, pois embora vivesse sobre profunda tensão espiritual interior, em face do potencial angélico que lhe oprimia a carne, sabia contentar-se e ninguém pode lhe apontar gestos e atitudes de cólera por sentir-se ofendido ou desatendido. Era um homem excepcional, porém, sujeito a toda a necessidade fisiológica do corpo físico, mas de uma vida regrada inconfundível”. (Opus Cit.).

Dito pensamento, por sinal, é o de muitos pensadores encarnados e desencarnados: de Jesus em um corpo carnal, ou seja: de carne e osso, sujeito a todas as necessidades fisiológicas! O que não se condena em tempo algum, pois o pensamento humano, e, mesmo espiritual, caminha do menor para o maior, do equívoco para o acerto, das coisas mundanas para as coisas espirituais.

Mas adiante, porém, tais Espíritos humanos, e os já desenfaixados das vestes físicas – por evolução de suas mentalidades – verão, consoante Item 113 de “O Livro dos Espíritos” (1857 – AK), aliás, dos Espíritos Superiores, que tais Seres, ou seja, em sendo Espíritos Puros, tais “não mais se sujeitam à reencarnação em corpos perecíveis”, e, pois, Jesus – sendo Espírito Puro – e, mais: dirigente do Orbe Planetário Terreno desde suas origens de há quatro e meio bilhões de anos atrás, dito Espírito não mais reencarna aos moldes do nosso saber, do nosso precário conhecimento, mas sim, hão estar, e, esteve dentre nós por meio de uma veste espiritual purificada, a que chamamos “corpo quântico”, e que, segundo os Espíritos Instrutores mais confiáveis do nosso meio, teria condições de aparecer e desaparecer, caminhar sobre as águas, estar com os homens e com Deus, em face de sua pureza, sua condição sublime de um Espírito Puro, além dos humanos de craveira comum, além dos Espíritos mais elevados do astral, pois que o Mestre Soberano Jesus, é Ser, desde priscas eras: Uno com o Pai, Uno com o Criador por sua condição de Espírito Puro, algo que transcende nossa condição humana, de Espíritos impuros, decaídos, sujeito às mais penosas provas e expiações.

Logo, como já vimos:

“Em Jerusalém, no templo, (Jesus), desaparece de chofre, desmaterializando-se ante a expectação geral”..., “Em cada acontecimento, sentimo-lo a governar a matéria, dissociando-lhes os agentes e reintegrando-os à vontade...”. (Vide: “Mecanismos da Mediunidade” – Psicografia de F. C. Xavier – Espírito André Luiz – prefácio de Emmanuel - Feb).

Mas também a equipe de Divaldo confirma, como, por exemplo, nesta passagem:

“Em Nazaré, ante a turba enfurecida, Jesus utilizou a faculdade da desmaterialização”. (Vide: “A Luz do Espiritismo” – Espírito de Vianna de Carvalho – prefácio de Joanna de Ângelis – Editora Leal).

O que confirma, pois, a verdade contida em “Os Quatro Evangelhos” – Revelação da Revelação, (Feb), organizada por de J.-B. Roustaing no Século 19, constituindo, assim, pois, todo um Consenso Universal de apoio aos Espíritos dos Evangelistas, dos demais Apóstolos e de Moisés, que patentearam seu altíssimo conteúdo.

Logo, os que pensam diferente terão, forçosamente, de retificar suas ideias em função de ideias mais próximas da realidade, ou seja, da Verdade em Cristo-Jesus, nosso Guia Espiritual desde priscas eras, donde recebera do próprio Senhor dos Universos: a missão de nos guiar neste mundinho de provas e de expiações as mais acerbas, mas condutoras de um Mundo melhor, se assim o merecermos.

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

Fernando Rosemberg Patrocinio
Fundador de Núcleo Espírita Cristão; Articulista; Coordenador de Estudos Doutrinários; Palestrante e Escritor com dezenas de e.Books gratuitos instalados em seu blog abaixo transcrito.

Relação dos e.Books de:
Fernando Rosemberg Patrocínio

01-Ciência Espírita: Tese Informal;
02-Espiritismo Em Evolução;
03-Espiritismo e Matemática;
04-Mecanismo Ontogenético;
05-Espaço-Tempo: Física Transcendental;
06-Corrente Mental;
07-Pietro Ubaldi e Chico Xavier;
08-Filosofia da Verdade;
09-Axiologia do Evangelho;
10-Espiritismo e Evolucionismo;
11-Fatos e Objeções;
12-O Médium de Deus;
13-A Grande Síntese e Mecanismo;
14-Evangelho da Ciência;
15-Codificação Espírita: Reformulação;
16-Kardecismo e Espiritismo;
17-Geometria e Álgebra Palingenésicas (web artigos);
18-Maiêutica do Século XXI;
19-Espiritismo: Fundamentações;
20-Ciência de Tudo: Big-Bang;
21-Evolução: Jornadas do Espírito;
22-O Homem Integral (Reflexões);
23-Espiritismo e Filosofia;
24-André Luiz e Sua-Voz;
25-O Livro dos Espíritos: Queda Espiritual;
26-Evidências do Espírito;
27-Construção Bio-Transmutável;
28-Mediunidade Genial (web artigos);
29-Conhecimento e Espiritismo;
30-O Paradigma Absoluto;
31-O Fenômeno Existencial;
32-Chico-Kardec: Franca Teorização;
33-O Maior dos Brasileiros;
34-Espiritismo: Síntese Filosófica;
35-O Livro dos Espíritos: Simples e Complexo;
36-O Livro dos Espíritos: Níveis Filosóficos;
37-Espiritismo: Queda e Salvação;
38-Geometria Cósmica do Espiritismo;
39-Matemática da Reencarnação;
40-Kardec, Roustaing e Pietro Ubaldi;
41-Espiritismo e Livre Pensamento;
42-Síntese Embriológica do Homem;
43-Jean-Baptiste Roustaing: Réplica Primeira;
44-Jean-Baptiste Roustaing: Réplica Segunda;
45-Jean-Baptiste Roustaing: Réplica Terceira;
46-Consenso Universal: Tríplice Aspecto;
47-Método Pedagógico dos Evangelhos;
48-Cristo: de Roustaing a Pietro Ubaldi;
49-Estratégias da Revelação Espírita;
50-Trilogia Codificada e Rustenismo;
51-Cosmogênese do Terceiro Milênio;
52-Tertúlias Multidimensionais;
53-Cristianismo: Teologia Cíclica;
54-Análise de Temas Codificados;
55-Deus: Espírito e Matéria;
56-Razões e Funções da Dor;
57-Emmanuel: Insigne Revelador;
58-A Queda dos Anjos;
59-Homem: Vença-te a Ti Mesmo;
60-Evangelho: Evolução Salvífica;
61-O Espírito da Verdade;
62-Balizas do Terceiro Milênio;
63-Sentimento: Molde Vibrátil de Ideias;
64-Ciência do Século XX;
65-A Revolução Ética.
...........................................
Blog: Filosofia do Infinito
http://fernandorosembergpatrocinio.blogspot.com.br

.........................................................................